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19/02/2021

Alunos de medicina cobram HC aberto

Mobilizados em torno da reivindicação da abertura definitiva do Hospital das Clínicas (HC) em Bauru, estudantes do curso de medicina da USP promoveram ontem (18) novo ato para chamar a atenção da sociedade sobre a importância da causa. O grupo assegura que a principal motivação do pleito é o déficit de leitos hospitalares públicos na região.

Concentrados na frente do prédio, onde, por ora, funciona o hospital de campanha para pacientes com Covid-19, os alunos produziram faixas e cartazes. Depois, marcharam para panfletagem na avenida Getúlio Vargas.

Foi o risco de fechamento desses eleitos para o enfrentamento da pandemia, no fim de 2020, que deu início ao movimento de estudantes. As vagas foram mantidas e, recentemente, ampliadas por conta do agravemento da crise sanitária após as festas de fim de ano.

O movimento defende, porém, a abertura definitiva do HC. Membro do grupo, Matheus Borges, 21 anos, reconhece que a unidade em operação agregará valor ao curso, mas garante que a principal motivação é a falta de leitos hospitalares no SUS. Ontem à noite, 42 pacientes aguardavam vagas de internação em unidades de urgência e emergência do município.

"Em um momento tão delicado para a saúde em Bauru, o contexto é de fechamento de leitos. Queremos chamar atenção das autoridades", diz o estudante.

Matheus comenta que o movimento tem se articulado em diversas frentes e dialoga, por exemplo, com políticos locais. Ele relata, no entanto, que não tem obtido êxito na tentativa de estabelecer canal direto de diálogo junto ao governo do estado.

"A gente tem a informação da necessidade de uma lei que autarquize o HC para que haja um acordo de cooperação técnica entre a USP e o Estado. Mas não há gestos de que isso esteja nos planos de curto nem de médio prazo", lamenta.

ESPECIALIDADES

Aluno do segundo ano de medicina, Wesley Pereira, 21, comenta que o novo hospital tem o papel de suprir a oferta de especialidades com maior demanda ou mesmo inexistência de oferta na cidade de Bauru. "É uma estrutura planejada há décadas e tem tudo para ser referência, como já é o Centrinho", acredita.

Além de alunos de medicina e de simpatizantes da pauta, passaram pela concentração do ato representantes do Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio) de Bauru e Região e os vereadores Eduardo Borgo (PSL), Júnior Lokadora (PP) e Marcelo Afonso (Patriota).

Sem HC, sem Faculdade

Na última quarta-feira (17), o JC noticiou que a abertura do Hospital das Clínicas (HC) é pré-requisito para a criação da Faculdade de Medicina da USP em Bauru. Hoje, o curso é vinculado à Faculdade de Odontologia (FOB).

A nova faculdade, por sua vez, enseja na transferência para a Secretaria de Estado da Saúde da gestão das duas unidades do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC), que são o 'Predião' azul, onde ficará o HC, e o próprio Centrinho.

Essa foi a condição para que, em 4 de julho de 2017, o Conselho Universitário (CO) da USP aprovasse a criação do curso de medicina da FOB. A universidade se comprometeria apenas com o pagamento dos salários dos servidores já contratados. Ainda no âmbito da graduação, o aluno Matheus Borges diz que os estágios podem ser feitos em outros hospitais, como o Base o Estadual, mas pontua que um hospital-escola, com preceptores da USP, acrescentaria ao processo de formação.

Matriculada no segundo ano do curso de medicina da FOB, Alessandra Helena Machado, 21 anos, vê o prédio inacabado, parado ou subutilizado desde a infância.

Diferentemente de muitos de seus colegas de turma, ela é nascida em Bauru e, quando criança, questionava o pai sobre a destinação daquela obra quando o acompanhava para buscar água na bica do Parque Vitória Régia, ali perto.

"Ele já me dizia que seria um hospital. É uma pena ainda ter que cobrar sua abertura tanto tempo depois. Além da falta de leitos para a população e das implicações relacionadas ao curso, dinheiro público desperdiçado. Quando a construção não é aproveitada, degrada", lamenta Alessandra.

Depois de 22 anos do início das obras, marcadas por interrupções e impasses, o chamado 'predião' do Centrinho começou a ser parcialmente ocupado em 2012. O imóvel possui 11 pavimentos.



Fonte: JC Net
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