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14/05/2021

Covid: ausência de velório em casos suspeitos dificulta o luto

Encarado como o último momento de contato com quem partiu, o velório ajuda a tornar o luto menos difícil. Porém, com a pandemia do novo coronavírus, as famílias das vítimas fatais de Covid-19 em Bauru, mesmo em casos suspeitos, perderam a chance de se despedir da maneira que gostariam. Isso porque a prefeitura, baseada nas resoluções do Ministério da Saúde, impede a realização da cerimônia para estas pessoas por questões de segurança.

Há algumas semanas, inclusive, uma aposentada de 80 anos deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Ipiranga com a língua enrolada e os dedos roxos, conforme informações da família, que preferiu não se identificar. Alguns dias antes, a mulher apresentou confusão mental e chegou até a trocar a medicação que tomava, mas ela só piorou. Na sala de emergência da UPA, a aposentada teve uma parada cardiorrespiratória, foi intubada e sofreu outra. A vítima não resistiu.

A família relata que sequer conseguiu ver o corpo da vítima, cujo resultado negativo do teste para a Covid-19 saiu só depois do sepultamento. O fato de não ter feito velório abalou todos os entes queridos da aposentada.

Questionada, a assessoria de comunicação da prefeitura destaca que, em casos suspeitos da doença, só se faz o sepultamento com as urnas lacradas visando garantir a segurança dos familiares das vítimas fatais.

Ainda segundo o município, o fato de a paciente ter testado negativo para a Covid-19 posteriormente não exclui a doença, uma vez que a pessoa poderia não estar com a carga viral tão alta a ponto de ser identificada pelo exame.

Diante disso, de acordo com a prefeitura, "a avaliação clínica do médico na hora da consulta ou internação costuma prevalecer e todas as funerárias estão devidamente orientadas sobre os procedimentos necessários".

ANGÚSTIA

Para a psicóloga Salete Xavier São Bernardo, a ausência de uma cerimônia de despedida dificulta o luto. "O velório é o último momento em que você 'convive' com a pessoa e, sem o devido adeus, fica mais difícil de lidar com a angústia", complementa.

Ainda segundo a especialista, a sensação que fica se equivale, d forma metafórica, à de uma gripe mal curada. "Assim como qualquer outro tipo de luto, este passa com o tempo, mas costuma demorar um pouco mais", acrescenta.

Para enfrentar a situação, a psicóloga indica fazer terapia e buscar o apoio dos entes queridos. "Antes de mais nada, nós precisamos aproveitar todos os momentos possíveis com a nossa família para que não reste qualquer lacuna, mas também devemos respeitar todos os protocolos de segurança, como o uso de máscaras e álcool em gel, além do distanciamento social", finaliza.

Protocolo

Existem outros casos em que o velório não é permitido: quando os pacientes estão há menos de 11 dias com a doença ou se, mesmo após este período, eles ainda apresentam sintomas.

Também se encaixam nesta proibição as pessoas que estão no hospital há menos de 21 dias em estado grave/moderado ou há mais de 21 dias em estado grave, mas ainda com sintomas.

Por outro lado, o velório é permitido quando os pacientes são diagnosticados há mais de 11 dias e estão em casa sem sentir qualquer manifestação da doença ou se eles se encontram internados por mais de 21 dias em estado grave e sem sintomas, conforme a liberação médica.



Fonte: JC Net
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