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21/02/2021

Limpeza do canal subterrâneo já amenizaria o problema, diz Assenag

Profissionais da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos (Assenag) de Bauru, a pedido do JC, analisaram o problema das inundações na Nações Unidas. Eles pontuam que não há respostas prontas para resolver a situação, mas reforçam que é preciso uma discussão ampla para aventar possibilidades. Inclusive, a entidade organiza um seminário para debater a macrodrenagem de Bauru.

Reconhecendo a necessidade de novas soluções de engenharia, os profissionais da Assenag ponderam que a limpeza do canal subterrâneo por onde corre o Ribeirão das Flores, que antes da avenida, fluía exposto, poderia reduzir a dependência de grandes intervenções.

A diretoria da entidade estima que 80% do canal esteja assoreado atualmente. Com a desobstrução, além da inspeção e manutenção regulares, o problema seria atenuado de forma significativa.

Mas esta não é a única alternativa apontada. Com base em um projeto já implantado no Residencial Tivolli 2, outra proposta da Assenag que deve ser discutida é uma bacia de retenção de água de chuva na enorme área dos pátios da ferrovia, que, em dias de sol, poderia, inclusive, ser aproveitada como espaço de lazer.

SEMINÁRIO

Para discutir essas opções em relação à Nações Unidas e todo o problema da macrodrenagem de Bauru, a Assenag está articulando um grande seminário, ainda sem dada definida. O objetivo é, junto ao poder público, à sociedade civil organizada e às comunidades, debater o que é prioridade e quais as alternativas técnicas e orçamentárias para viabilizar projetos

Existe, no município, um plano de macrodrenagem, concebido no início da última década e que, segundo os engenheiros envolvidos na iniciativa, precisa ser revisto.

"É um sistema complexo. Um problema ou uma solução de determinada região traz impactos negativos ou positivos a outras. A última chuva que atingiu a cidade, com o agravamento de erosões, demonstrou que há muitos gargalos. Sabemos que não dá pra resolver tudo. Então, queremos discutir o que dá para fazer primeiro, e contribuir na busca por soluções", explica o presidente da Assenag, Alfredo Neme Neto.

MUDANÇAS CLIMÁTICAS

A canalização do Ribeirão sob a Nações é decorrente de conceito que prevalecia entre as décadas de 1960 e 1970. Do mesmo modo, a concepção da avenida e sua infraestrutura, segundo os profissionais, não considerava fenômeno decorrente das mudanças climáticas.

"As chuvas eram mais regulares. Agora, são cada vez mais espaçadas e, por consequência, mais intensas", explica João Carlos Herrera, que está à frente da organização do seminário.

A impermeabilização do solo, a partir da pavimentação dos bairros ao redor, sem as intervenções de drenagem equivalentes, é outro fator que resultou no problema crônico de inundações.

 

'Ribeirinhos' da Nações relatam rotina de transtorno e prejuízo

Aceituno Jr

Em toda chuva forte que ultrapassa os 15 minutos de duração, um sentimento toma conta de boa parte dos comerciantes ao longo da avenida Nações Unidas: apreensão. Especialmente os que estão localizados na parte mais baixa da via - a partir do viaduto com a avenida Duque de Caxias, na altura da quadra 17 - estão habituados a enfrentar transtornos quando a artéria viária se transforma em rio.

Escapam de problemas somente aqueles estabelecimentos construídos em nível significativamente mais elevado em relação à avenida ou com considerável recuo, estrategicamente projetados diante da recorrência de inundações. Já no trailer do comerciante Ricardo Cássio Pereira, 50 anos, localizado no cruzamento com a avenida Nuno de Assis, a realidade é outra.

Conforme conta, em apenas um ano, ele já perdeu uma geladeira e o motor de outra em duas ocasiões em que a água invadiu o estabelecimento. "A mais recente foi no último domingo. Só não perdemos mais coisas porque sempre deixamos tudo suspenso. É difícil conseguir repor o prejuízo, mas não podemos parar de trabalhar", pondera.

Mesmo havendo uma rampa que eleva o nível do estabelecimento em relação à rua, o gerente de uma loja de tintas, Gustavo Sinopoli, 33 anos, relata que a entrada do comércio acaba sendo invadida quando o volume de água é grande. "Por conta do tipo de produto com que trabalhamos, é raro termos prejuízos materiais, mas acumula lama e é um transtorno. Leva dias para remover todas as mercadorias e fazer a limpeza", comenta, revelando que, no passado, um dos vendedores chegou a perder o carro, que estava estacionado em uma rua lateral.

Maiores ou menores, as rampas, aliás, são regra em frente aos estabelecimentos. Na quadra 14, foi este dispositivo que evitou que a enchente do último domingo alagasse uma loja de equipamentos musicais, da qual Caroline Padovan, 36 anos, é gerente. "Felizmente, a enxurrada levou apenas o jardim, mas só aí já foram R$ 150,00 em prejuízo", comenta.

Na pizzaria instalada na mesma quadra, o proprietário Rodrigo Dau Pimenta, 35 anos, colocou palets sob as caixas que acomodam as embalagens de papelão no estoque, depois de um histórico de perdas. Mesmo com o comércio construído em um nível mais alto, o "rio Nações" já invadiu o local por diversas vezes. "Sai prefeito, entra prefeito e ninguém resolve o problema", lamenta.



Fonte: JC Net
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